domingo, 19 de setembro de 2010

nº 81 - O que é o “Poema Regius”


Como o próprio nome diz, é um poema, muitas vezes chamado de “Manuscrito Regius” ou “Manuscrito Halliwell”. É considerado o mais antigo documento manuscrito dos “Antigos Deveres” (Old Charges) da Francomaçonaria.

É datado de aproximadamente 1390 e está escrito em ingles arcaico, sendo, portanto, difícil de ser lido sem ajuda de especialistas. Está preservado no Museu Britânico para qual foi presenteado pelo Rei George II.

Sua importância não foi reconhecida até 1840 quando a primeira versão foi imprimida por J.O Halliwell. A razão de ter sido, por longo tempo, não reconhecido como um documento Maçônico, foi porque ele estava indexado com o título de “Um Poema de Deveres Morais”.

O Manuscrito Regius foi recentemente reimprimido por Knoop, Jones e Hamer no artigo “Os Dois Mais Antigos Manuscritos”. A tradicional história nessa versão, começa com a estória de Euclides e em adição, instruções Maçônicas que contêm muita orientação, em geral, comportamental e algumas de cunho religioso.

O Manuscrito Regius contém, também, a lenda do “Quatuor Coronati” versando sobre os quatro mártires coroados (ver Pílula Maçônica nº 40).

(artigo extraido de livros Neo Zelandeses).

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

nº 80 - O significado de “Loja” na Idade Média


Conforme explicação no artigo escrito “Irmãos na Idade Média” do Irmão N.B.Spencer, da Nova Zelandia, 1944, temos que:

“os Maçons da Idade Média, usavam a Loja (ver Pilula Maçônica nº 19) como um local de trabalho, reservado aos olhares de curiosos. A pedra não trabalhada, disforme, era trazida das pedreiras e era trabalhada, conformada e colocada no esquadro, dentro dessa área coberta, chamada de “Loja”. Essa Loja era colocada, evidentemente, ao longo das grandes construções e podia ter janelas somente em tres dos seus lados”.

Na antiga Maçonaria Especulativa já era comum serem feitas as perguntas:
- quantas Luzes Fixas há na Loja? “Três” é a resposta.
- Para que são usadas? “Para ser a fonte de luz aos homens e iluminar o seu trabalho” é a outra resposta.

Desse modo, o Venerável Mestre e os dois Vigilantes, que fazem o trabalho que exige maior habilidade, devem estar sentados abaixo das janelas no Leste, Sul e Oeste, e os Aprendizes que fazem trabalhos mais simples, não necessitam da mesma quantidade de luz, se sentam ao Norte, onde não há janela.

domingo, 5 de setembro de 2010

nº 79 - Escada de Jacó e Escada em Caracol


Apesar das duas serem Símbolos Maçônicos, e se tratar de escadas, na verdade, são bem distintos um do outro.

A Escada de Jacó é um Símbolo Iniciático, com forte caráter religioso, é usado em outras Ordens, inclusive religiosas. A Maçonaria, apesar de não ser uma religião, a utiliza na Simbologia, para transmitir seus ensinamentos.

Ela se se origina na Bíblia, referindo-se ao sonho que Jacó, filho de Isaac e de Rebeca e irmão de Esaú, teve um dia, no campo. Lá diz que, Jacó temendo a cólera de seu pai, pois havia comprado os direitos de primogênito de Esaú, seu irmão, fugiu para a Mesopotâmia. No caminho, em Betel, enquanto dormia com a cabeça apoiada numa pedra, sonhou com uma escada fixa na terra e a outra extremidade tocando o céu. Por ela os anjos subiam e desciam e ele ouvia Deus dizendo que sua descendência seria extremamente numerosa. Obviamente, pode-se dar inúmeras interpretações a esse sonho. Vai depender somente da nossa imaginação.

A interpretação que a Maçonaria dá para essa lenda é de que o conhecimento de todas as coisas é adquirido de forma gradual, como se estivéssemos subindo uma escada, degrau por degrau. Aparentemente isso parece ser fácil, mas não é. Exige sacrificios, constancia e persistencia. Aliás, pensar que tudo é fácil, é uma característica do ser humano. Uma vez eu ouvi em Loja que fazer uma piramide, como as dos Egito é muito simples...só precisa colocar as pedras uma em cima das outras. Realmente muito simples!

Conforme Nicola Aslan (Grande Dicionário Enciclopédico de Maçonaria), esse símbolo está contido no painel do Grau de Aprendiz, com sete degraus, representando as sete virtudes cardeais: Temperança, Fortaleza da alma, Prudência, Justiça, Fé, Esperança e Caridade. Ë comum, pois, depois da Iniciação, dizer-se que o Aprendiz subiu o primeiro degrau da Escada de Jacó, ou seja, deu o primeiro passo no caminho de seu aperfeiçoamento moral.

A Escada em Caracol, como o próprio nome diz, é uma escada em espiral, e é o Símbolo do Companheiro. No Grau de Companheiro é onde o Obreiro adquire o máximo de conhecimentos, e isso é típico desse grau, preparando-se para entrar no Grau de Mestre. Simbolicamente, nesse grau, ele deve girar em torno de si , absorvendo tudo a sua volta e atingindo, além disso, níveis superiores, cada vez mais aperfeiçoados. Assim, ao atingir o Grau de Mestre que é o esplendor da sua carreira maçônica, o Obreiro poderá começar a transmitir seus conhecimentos adquiridos, ou iluminar, clarear, a mente dos novos Aprendizes e de todos com os quais convive. Ser Mestre Maçom não é ser o dono da Verdade! Mas é ser dono da própria vontade e buscá-la, sem esmorecer e mostra-la ao mundo.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

nº 78 - Sessão Magna


As Sessões de uma Loja, de acordo com o Regulamento Geral da Federação (RGF) estão regulamentados pelos artigos 108 a 113.

Para melhor elucidação, transcreve-se o art. 108:

Art. 108. As sessões das Lojas serão ordinárias, magnas ou extraordinárias.
As magnas se subdividem em : sessões magnas privativas de Maçons e sessões magnas admitida a presença de não-maçons (conferencias, palestras, como exemplo).”

Essa última, admitindo a presença de não-maçons, tem uma ritualística própria que está descrita abaixo, juntamente com alguns esclarecimentos:

Essa sessão é chamada também de Magna Pública. Muitas Lojas chamam-na de “Sessão Branca” o que é um erro, pois dá a entender que existe uma “Sessão Negra” o que não é verdade.

Essa Sessão deverá ser aberta sempre no Grau de Aprendiz, estando presentes os Irmãos do quadro da Loja e Irmãos visitantes de outras Lojas, se for o caso. A rigor deveria ser aberta ritualisticamente com os membros da Loja e, só depois disso liberar a entradas dos Irmãos visitantes.

Em seguida, após golpe de malhete, advertir a todos que será feita a entrada dos visitantes não-maçons e que todos os sinais maçônicos estão suspensos.

O Mestre de Cerimonias obedecendo os protocolos próprios (espadas, etc), dá entrada do pessoal, orientará e colocará, como é costume em nossas Lojas, as mulheres nos assentos do lado direito de quem entra (Coluna da Beleza – 2º Vigilante) e os homens nos assentos da esquerda (Coluna da Força – 1º Vigilante).

Após isso, caso exista altas autoridades Maçônicas, elas deverão entrar e, em seguida entra a Bandeira Nacional, considerada a maior autoridade. Isso tudo obedecendo os protocolos do Rito praticado.

Após as solenidades, faz-se o inverso, terminando com o encerramento Ritualístico da Sessão.

domingo, 8 de agosto de 2010

nº 77 - Lembrando aos Maçons que...


Filosofismo, palavra cuja raiz vem de “filosofia” (estudo geral sobre a natureza de todas as coisas e suas relações entre si; os valores, o sentido, os fatos e princípios gerais da existência, bem como a conduta e destino do homem) é muitas vezes usada para designar os Altos Graus de alguns Ritos, principalmente o REAA. A aplicação está errada, pois filosofismo tem como significado: mania filosófica ou falsa filosofia.

Venerança, termo muitas vezes usado para designar o cargo do Venerável Mestre de uma Loja está errado, pois apesar de supormos ser um neologismo do linguajar maçônico, o correto é Veneralato, tendo similaridade com as palavras terminadas em “el”. Coronel – Coronelato. Venerável – Veneralato.

Escocismo, palavra usada para nos referirmos ao REAA. Esse uso está errado, pois o correto é pegarmos a palavra e acrescentarmos o sufixo “ismo” (formador de nomes seitas, doutrinas, vícios, etc). Assim : ingles - inglesismo. Portugues - portuguesismo. Escocês - Escocesismo.

Kadosch, palavra designando a Oficina Litúrgica que trabalha nos graus 19 a 30 do REAA, está com a grafia errada, pois o correto é Kadosh (sagrado, em hebraico). Igualmente para Conselho Kadosh (e não Conselho de Kadosh).

O Primeiro Conselho do REAA teve sua fundação em Charleston, no estado da Carolina do Sul, EUA, em 31 de maio de 1801, liderada por Frederic Dalcho, usando a divisa “Ordo ab Chao” (Ordem no Caos) tirando a Maçonaria da anarquia em que se encontrava, nos Altos Graus.. Há uma versão histórica de que esse Primeiro Conselho foi organizado por Frederico II, rei da Prússia, em 1786. Não há nada de verídico nisso, pois em 1786, Frederico já estava bastante doente, e velho para a época, vindo a falecer nesse mesmo ano. Além disso, por que motivo esse fato ficaria oculto na Europa até 1802, quando começou a aparecer nos EUA? A verdade é que a Europa nunca aceitou esse importante episódio maçônico ser fruto de um país “selvagem” como os EUA, na época, e criou mais uma “lenda”.

Elias Ashmole não redigiu os Rituais de Aprendiz, Companheiro e Mestre Maçom em 1646, 1647 e 1649, respectivamente. Isso é balela do ultrapassado escritor maçônico Jean-Marie Ragon (1781-1862). A Grande Loja Unida da Inglaterra não menciona isso. O próprio Ashmole, em seu “Diário” assinala somente duas passagens maçônicas: uma em 1646 e outra em 1682. Portanto, 36 anos depois. O grau de Mestre, cujo Ritual se diz ter sido feito por Ashmole em 1649, só apareceu cerca de oitenta anos depois! Além disso, Ashmole foi Iniciado em 16 de outubro de 1646. Como poderia ter escrito o Ritual de Aprendiz, nesse mesmo ano?

(Esta Pilula foi baseada em diversos livros e Trabalhos do Mestre Castellani)

terça-feira, 20 de julho de 2010

nº 76 - A Colméia e a Maçonaria


A Colméia, e consequentemente a ação das abelhas, teve seu aparecimento anteriormente no Egito, Roma antiga e no mundo Cristão, antes de fazer parte do Simbolismo da Francomaçonaria.

No antigo Egito, nos esclarece o Mestre Nicola Aslan, "a Colméia tinha interpretações místicas. Representava as leis da natureza e princípios divinos. Lembrava que o homem devia construir um lugar onde pudesse trabalhar, e isto era representado pelo Templo. Dentro desse Templo todos devemos estar ocupados numa produção cooperativa e mútua".

No século XVIII a Francomaçonaria adotou a Colméia como um símbolo do trabalho, ou seja, como símbolo da diligência, assiduidade, esforço, da atividade constante. A Colméia e suas abelhas simbolizam também a Sabedoria, a Obediência e o Rejuvescimento.

Desde então, este simbolo maçônico tem aparecido, e antigamente com mais frequencia, nas ilustrações maçônicas.

Na "Enciclopédia da Francomaçonaria" de Albert G. Mackey, é dito que os maçons devem "observar as abelhas e aprender como são laboriosas e que notável trabalho elas produzem, prevalecendo os valores da sabedoria, apesar de serem frágéis e pequenas".

Em outras literaturas, temos encontrado também que: "a Colmeia é um emblema do trabalho assíduo, ensinando-nos um comportamento racional e inteligente, laborioso e nunca descansarmos enquanto tivermos ao nosso redor Irmãos necessitados, aos quais podemos ajudar, sem prejuizo para outros".

E, para finalizar, podemos citar Ralph M. Lewis, na sua interpretação mística desse Simbolo: "o homem deve modelar suas ações e seu corpo fisico de modo que possa conter e preservar as riquezas, doçuras e frutos de seu trabalho e experiências, não para um uso egoísta, mas para ajudar e fortalecer aos outros".

P.S.: este pequeno trabalho é uma homenagem ao meu apoiador e incentivador, Irmão Fernando Tulio Colacioppo Sobrinho, idealizador, e "abelha incansável" da REDE COLMÉIA, que muito tem colaborado para a Maçonaria do Brasil.

terça-feira, 22 de junho de 2010

nº 75 - Cores na Maçonaria


O estudo do significado das cores, na Maçonaria, é de vital importância pois permite facilidades e melhor entendimento no estudo do Simbolismo. Elas figuram e estão presentes em todos os Ritos e em todos os Graus. É muito importante que se estude, também, o simbolismo das cores para que possamos entender o seu significado nos nossos paramentos, painéis e estandartes. Na natureza, o “Arco Iris” formado pelas gotículas de água refletindo a luz solar tem as seguintes cores (de dentro para fora): violeta, anil, azul, verde, amarelo, laranja e vermelho.

No Rito Escoces Antigo e Aceito percebemos que há uma estreita ligação entre suas cores usadas e o que está descrito acima. Assim, nesse Rito, que é composto de 33 Graus, o mesmo é dividido em cinco secções. Nelas é que aparecem as definições das cores na Maçonaria, conforme descrito abaixo:

  • A “Maçonaria Azul” compreende os Graus Simbólicos, ou seja, Aprendiz, Companheiro e Mestre.
  • A “Maçonaria Verde” que refere-se às Lojas de Perfeição, que compreende os grau do 4 ao 14.
  • A “Maçonaria Vermelha” que refere-se às Lojas Capitulares (Capítulos Rosa-Cruz), que compreende os grau do 15 ao 18.
  • A “Maçonaria Negra” que refere-se às Lojas do Conselho Kadosh, que compreende os grau do 19 ao 30.
  • A “Maçonaria Branca” que que refere-se às Lojas do Consistório e Supremo Conselho, que compreende os graus do 30 ao 33.
De acordo com Mestre Nicola Aslan, em seu Dicionário Enciclopédico, temos:

  • AZUL: é simbolicamente, na Maçonaria, a cor do céu no seu infinito, como infinita deve ser a tolerãncia condicionada nas atitudes dos Maçons nos tres primeiros graus – Aprendiz, Companheiro e Mestre.
  • VERDE: essa cor simboliza, precisamente, a transição, a passagem da “pedra cúbica” para a “pedra polida”. Esse polimento é a abertura da mente do Mestre para novos e surpreendentes conhecimentos.
  • VERMELHO: é a cor do elemento fogo. É a cor do sacrificio e do ardor que deve animar o comportamento dos Rosa-Cruzes.
  • PRETA: é a cor do luto e da tristeza que atormentam o Iniciado quando acredita que o seu desejo de excelsitude, o seu sacrifício e o seu ardor têm sido vãos.
  • BRANCA: é a cor que simboliza a paz e a serenidade do Iniciado que alcançou a plenitude da Iniciação, quando desenvolveu em si a espiritualidade pura, livre de toda sentimentalidade.
Infelizmente, é comum se ouvir em trabalhos de Mestres, sobre “Maçonaria Azul” e “Maçonaria Vermelha” informando que a vertente da Maçonaria oriunda da França, com tendências revolucionárias, é a “Maçonaria Vermelha” e a vertente mais conservadora, mais comportada, oriunda da Inglaterra, é a “Maçonaria Azul”. Entretanto, essas afirmativas não encontram respaldo dos historiadores maçônicos, sérios.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

nº 74 - Erro não! Tentativa de acerto.


Na Maçonaria, os Aprendizes, por alguns meses ficam calados, quietos na sua Coluna, absorvendo os modos e maneiras de se comportarem em Loja de acordo com o Rito usado, e isso é totalmente normal.

Entretanto, com o passar desses meses, esses Aprendizes devem se liberar da inibição inicial e começar a expressar suas opiniões sobre Peças de Arquitetura, que são os Trabalhos apresentados por outros Aprendizes. Além do mais, devem apresentar também suas Peças de Arquitetura, além daquelas exigidas pelo regulamento da Loja.

O que ocorre é que, muitas vezes, com medo de errarem e de serem criticados, esses Maçons se retraem e geram uma auto castração da criatividade e da iniciativa, na participação dos trabalhos da Loja. Ficam como passarinhos na muda das penas: quietos e calados!

Entretanto, existe uma diferença muito grande em “errar” deliberadamente e “fazer uma tentativa de acerto”. Ninguém gosta de cometer erros ou de fazer trabalhos inadequados. Entretanto, quando fazemos algo de modo bem intencionado, convicto de estarmos certo e, assim mesmo, ficar provado que algo era inverídico, isso não deve ficar caracterizado como um erro, mas como uma tentativa de acerto. Devemos aprender com as nossas tentativas de acerto. Com as dos outros, também! É por isso que estudamos História. Para aprendermos, ou deveríamos aprender, o que não deve ser repetido e como não deve ser repetido.

Se encararmos o “erro” como uma “tentativa de acerto” veremos que, mesmo ocorrendo fatos ou trabalhos inadequados, nossa auto estima e confiança aumentam, fazendo com que continuemos trabalhando, tomando decisões, dando opiniões.

Temos que ter em mente que é humanamente impossível “acertarmos” todas as vezes. Portanto, essas “tentativas de acerto” devem ser como uma aprendizagem. Em cada “tentativa de acerto” faremos cada vez melhor o que foi proposto. Thomas Edson falava e fazia exatamente o que está descrito acima.

É isso que a vida, em geral, nos tem mostrado. As grandes descobertas não foram realizadas de uma única vez, mas, passo a passo, aprendendo com falhas anteriores e, inclusive, falhas dos outros.

Por isso, meus Irmãos Aprendizes, façam Trabalhos, participem, colaborem com suas idéias e opiniões pois, não trabalhar, não participar e ficar calado é improdutivo e menos gratificante.

Pessoas que não tentam fazer ou falar algo, com medo de errar, não se desenvolvem!

Todos os Aprendizes bem intencionados devem parar de pensar que podem estar cometendo “erros” e, sim, pensar que estão fazendo “tentativas de acerto”.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

nº 73 - Instalação do Venerável Mestre


É uma cerimônia Maçônica, repleta de simbolismo e alegorias, tendo por finalidade a transmissão do cargo de Venerável Mestre, que é a autoridade máxima de uma determinada Loja. Ao ocupar o “Trono de Salomão”, alegoricamente falando, o obreiro deverá ficar revestido de poder e sabedoria e, durante um ou dois anos, assumirá o veneralato da referida Loja.

Segundo alguns historiadores maçônicos essa cerimônia foi, a princípio, típica do Rito praticado na Inglaterra, na metade do século XVIII, quando ainda haviam lá duas emergentes Obediências: a dos Modernos e a dos Antigos, que posteriormente, em 1813, se uniram e formaram a G.'.L.'.U.'.I.'..

Segundo Mackey, a Instalação é mais antiga, surgindo juntamente com as Constituições de Anderson, em 1723, elaborada por Desaguliers.

Inclusive, em 1827, devido a pequenos desvios que começaram a surgir, foi criado, pelo Grão Mestre, na Inglaterra, um “Conselho de Mestres Instalados” com a finalidade de coordenar todas as atividades contidas no Ritual de Instalação.

Com o passar dos tempos, todos os demais Ritos, como o R.'.E.'.A.'.A..', por exemplo, copiaram e adotaram essa prática Maçônica.

O novo Venerável Mestre é “Instalado” pelo Mestre Instalador, que pode ser um Grão Mestre, ou um ex-Venerável Mestre, e sua comitiva. Em seguida, o novo Venerável Mestre instala todos os Oficiais de sua Loja que realizarão suas funções, sob juramento, até que sejam substituídos por outros, instalados da mesma forma.

Na verdade, esse ato de dar posse de um cargo, dando o direito de exercer os privilégios inerentes, é bem antiga e já era praticada pelos antigos romanos, que instalavam seus novos sacerdotes, normalmente pelos Augures (sacerdotes que prediziam o futuro).

A origem do nome “instalação”, em português, vem da palavra francesa installer que por sua vez vem do latim medieval Installare (stallum significa cadeira, e in é estar dentro, adentrar).

Outras associações iniciáticas, também possuem Instalações. Os padres da Igreja Católica, por exemplo, também são instalados em suas paróquias.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

nº 72 - Abater Colunas


Em todos os Templos das Lojas Simbólicas existem, próximas à porta de entrada, muitas vezes no Átrio, outras vezes pelo lado de dentro do Templo, duas colunas com as letras “B” e “J”. Na minha opinião, devem estar no lado de dentro, pois são consideradas como Símbolos Maçônicos.

Entretanto, o termo “abater colunas” não se refere à essas colunas, mas à outras, que ao meu ver, são muito mais importantes, como veremos a seguir.

As Colunas “B” e “J”, determinam, principalmente, o local que deve ser ocupado em Loja, respectivamente, pelos Aprendizes e pelos Companheiros. Há diferenças, dependendo do Rito em que a Loja está trabalhando. Assim, para o Rito Escocês Antigo e Aceito, a Coluna “B” está à esquerda de quem adentra o Templo, e a Coluna “J”, à direita. Formam, pois a Coluna dos Aprendizes e a Coluna dos Companheiros. Considerando, simbolicamente, que ao longo do Oriente-Ocidente da Loja está a Linha do Equador, temos, então, a Coluna do Norte e a Coluna do Sul, sempre citadas em nossos rituais.

Além dessas existem ainda, no R.'.E.'.A.'.A.'. as Colunas Zodiacais.

Finalizando, existem outras “Colunas”, simbólicas, importantíssimas. Desse modo, simbolicamente, a Loja está apoiada em três colunas: a Coluna do Venerável Mestre, ou a “Coluna da Sabedoria”; a Coluna do Primeiro Vigilante ou a “Coluna da Força”; e a Coluna do Segundo Vigilante ou a “Coluna da Beleza”.

Portanto, abater colunas, é derrubar as colunas que sustentam, simbolicamente, uma Loja, ou seja, é abater as Colunas da Sabedoria, da Força, e da Beleza!

Abater Colunas”, segundo Mestre Nicola Aslan “é quando uma Loja Maçônica não se reúne mais com regularidade, nem mesmo para renovar os mandatos de sua administração, e por falta de Obreiros suspende os seus Trabalhos”.

Dizemos, então, que “abateu colunas” ou “adormeceu”. Os procedimentos exigem, que para uma Loja continuar trabalhando, existam ao menos sete Obreiros, sendo, pelo menos, três Mestres.

Somente como esclarecimento, deve fique claro que: “estar entre Colunas” ou “falar entre Colunas” estamos nos referindo à essas últimas colunas citadas, ou seja, as Colunas da Sabedoria, da Força e da Beleza, e não, estar entre as Colunas “B” e “J”, ou entre as Colunas Zodiacais.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

nº 71 - Fênix e Ouroboros


O elemento mitológico “Fênix” e o símbolo esotérico “Ouroboros”

O “mito”, em geral, é uma narração que descreve e retrata em linguagem simbólica a origem dos elementos e postulados básicos de uma cultura. É um fenômeno cultural complexo e que pode ser encarado de vários pontos de vista. Como os mitos se referem a um tempo e lugar extraordinários, bem como a deuses e processos sobrenaturais, têm sido considerados com aspectos de religião.

A Maçonaria, entre outros, refere-se com freqüência, a um mito e a um símbolo, que descreveremos a seguir:

Fênix” – ave lendária na região da Arábia, era consumida pelo fogo a cada período de tempo, e a mesma Fênix, nova e jovem, surgia de suas próprias cinzas. Deste modo, quando sentia próximo o seu fim, ela juntava em seu ninho, madeira bem seca e palha, que exposto aos raios solares se incendiava e, juntamente com a ave, ardia em chamas. Confiante e a espera da própria ressurreição, pois o fogo que a consumia não lograva matá-la, surgia do resíduo da combustão de seus ossos, uma larva, cujo crescimento ocasionava o aparecimento, novamente, da própria Fênix. Assim, a Fênix é o símbolo da imortalidade de nossa alma e da materialidade de nossos corpos. Fixa a idéia de que o “corpo” se reduz a cinzas, enquanto que a “alma” é eterna.

Há quem vê nesse mito, o caráter cíclico dos acontecimentos, mas existe um símbolo esotérico, mais apropriado para essa interpretação, que é o que descrevo a seguir:

Esoterismo”, vocábulo arcaico grego, referia-se aos ensinamentos reservados, normalmente obras de grandes filósofos, sobre a origem do mundo, nossa origem e nosso fim, transformando-se em verdadeiros tratados, dados a pessoas preparadas, ou em preparação, com condições de absorve-los, conhecidos como “adeptos” ou “iniciados”. É o oposto de “Exoterismo”, que referia-se ao conhecimento comum, transmitido ao público, em geral.

Ouroboros” – importantíssimo símbolo esotérico, de origem muito antiga, representada pela serpente que morde a própria cauda, nos dá a entender o caráter cíclico de todas as coisas. Significando que, como afirmava Ir.'. Castellani, “todo começo contém em si o fim e todo fim contém em si o começo”. É o símbolo do tempo e a continuidade da vida.

Os “ciclos” se completam, e conforme os ocultistas, os retornos promovem a renovação perpétua. Deste modo, como nos dizia o Ir.'. Varoli Filho “É possível que tudo o que existe já tenha existido”. O “Eclesiastes” já proclamou que não há nada de novo sob o sol. Escavações arqueológicas, descobertas de áreas semelhantes a campos de aviação, mapas antigos como os do almirante turco Piri Reis, revelando verdades surpreendentes, nos faz crer, que um ciclo semelhante ao nosso tempo atual, nos precedeu. O Universo está em expansão. Tudo nos leva a crer (não existe confirmação, só hipótese) que após ela, o Universo irá se contrair. E depois? Provavelmente, novo “Big Bang” e nova expansão!

quinta-feira, 29 de abril de 2010

nº 70 - Liberdade, Igualdade e Fraternidade


Uma boa parte dos Maçons do Brasil, principalmente aqueles com o peito cheio de ufanismo, com um desvanecimento típico dos que vêm a Maçonaria em todas as coisas e causadora de tudo que ocorre, acha que a Revolução Francesa, em 1789, usou essa divisa maçônica.

Inclusive, esse pessoal acha que a Maçonaria promoveu e articulou a Revolução Francesa. Sabe-se hoje que isso não é verídico.

Na verdade, a história nua e crua é bem diferente. Na época da Revolução Francesa existiu a trilogia: “Liberdade, Igualdade ou a Morte (Liberte, Égalité ou la Mort)”. Os detalhes de como apareceu, encontram-se em livros de história e não serão citados. Somente em 1848, portanto quase 60 anos depois, no momento político na França, denominado pelos franceses de “2ª Republica” é que a trilogia citada se transforma em “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”.

Aí, nessa época, é que ocorreu o inverso do que boa parte dos Maçons pensa: a Maçonaria Francesa adotou essa divisa e, devido a influencia e a disseminação da mesma em todo o mundo maçônico, a divisa foi junto, chegando ao Brasil e em toda América Latina.

Alec Mellor, conceituado historiador francês, no “Dicionário da Franco-Maçonaria e dos Franco Maçons” (Coleção Arcanum, primeira edição brasileira em 1989, pela Livraria Martins Fontes Editora Ltda) deixa bem claro aos leitores que na 1ª Republica Francesa apareceu a divisa “Liberdade, Igualdade ou a Morte” e que não foi ideologia maçônica.

Na 2ª Republica se transformou em “Liberdade, Igualdade e Fraternidade” e que a Maçonaria tomou tal divisa emprestada à Republica.

Esse hábito que a Maçonaria tem em adotar Símbolos, Emblemas, Divisas, etc, é muito salutar, no sentido de incutir força moral em seus ensinamentos.

Desse modo, como exemplo, ela foi buscar e adotou a “Estrela de Cinco Pontas” e promove, através dela, todo esoterismo cabível e adequado. Esse Símbolo é muito antigo e muitos Maçons acham que a Maçonaria, por possuí-lo, é tão antiga quanto ele.

Ledo engano: esquecem que esse Símbolo só apareceu na Maçonaria na sua Fase Especulativa, de 1717 para cá.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

nº 69 - Justa, Perfeita e Regular


Por que são usados os termos “Justa, Perfeita e Regular” para descrever uma Loja Simbólica?

Muitas vezes nós ouvimos essa expressão e nos passa despercebidos sua significação e a consideração devida. Muitas vezes são pronunciadas em bom tom, para enfatizar algo e repercutir de maneira adequada.

Essa expressão é usada para descrever uma Loja Simbólica e garantir que seus membros, Aprendizes, Companheiros e Mestres, são verdadeiramente membros da Pura e Antiga Maçonaria.

Uma Loja é JUSTA quando as Três Grandes Luzes Emblemáticas estão presentes.

Uma Loja é PERFEITA quando o número de obreiros está dentro do requerido constitucionalmente.

Uma Loja é REGULAR quando está trabalhando na presença de Carta Constitutiva, emitida por uma autoridade maçônica legal.

Dessa maneira, como afirma Nicola Aslan no “Grande Dicionário Enciclopédico”, Editora Artenova, Rio de Janeiro, 1974, a Loja Justa, Perfeita e Regular é a que goza de pleno uso de todos os seus direitos Maçônicos, completamente independente de qualquer outra Loja e sem outras limitações a não ser aquelas estabelecidas na Constituição e nos Regulamentos Gerais da Obediência da qual é jurisdicionada.

sábado, 10 de abril de 2010

nº 68 - Lance o balde onde você está!


Brethren,

Saindo um pouco da nossa seqüência de assuntos Maçônicos, quero apresentar uma tradução de um pequeno artigo, que em 1961 era comentado pelo Past Máster da “Cortage Grove Lodge nº 51”, Oregon, EUA, Mr. Elbert Bede.

Dizia ele que Booker T. Washington, famoso educador da raça negra, quando queria encorajar seu povo, contava a estória de um veleiro, parado devido à calmaria reinante no litoral norte da América do Sul. A tripulação da embarcação estava em desespero devido à falta de água potável. Todos estavam com sede, necessitando tomar água o mais rápido possível.

Nisso, uma outra embarcação se aproximou e o capitão da embarcação necessitada mandou mensagens explicando a necessidade de água fresca. Ele obteve como resposta: “lance o balde onde você está!”. O capitão não entendeu porque deveria lançar o balde no mar e trazer água salgada.

Por mais três vezes mandou mensagens mostrando a necessidade de água potável. E por mais três vezes recebeu como resposta: “lance o balde onde você está!”. Finalmente, ele mandou que lançassem o balde e o mesmo veio cheio de água fresca e potável.

Milagre! Foi o primeiro pensamento de todos na embarcação necessitada. Não. Simplesmente eles estavam na foz do rio Amazonas, que lança milhares de toneladas de água fresca mar adentro, e eles não haviam se apercebido de tal fato. Ali, as margens são tão distantes que se tem a impressão de estar em mar aberto.

Todos tinham tido a oportunidade de matar a sede, mas a oportunidade não havia sido reconhecida.

Mr. Bede complementava seu comentário: “não está aqui uma lição para nossa vida na Maçonaria e na nossa vida do dia-a-dia? Muitos reclamam que as oportunidades nunca aparecem onde eles estão. A verdade é que falhamos em reconhece-las. Se trabalhamos numa firma grande, achamos que as oportunidades estão nas firmas pequenas. E vice versa. Nas Lojas a mesma coisa. Se me dessem chance eu faria isso, ou seria aquilo, etc. O segredo é esse: LANCE O SEU BALDE ONDE VOCE ESTÁ!

E você verá as coisas acontecerem. Os exemplos estão em todas as partes do mundo. Em todas as áreas.

Pois é... podíamos ao menos pensar sobre isso.

domingo, 4 de abril de 2010

nº 67 - O Ritual na Maçonaria


Um “Ritual” é a forma de conduzir, com procedimentos e cerimoniais anteriormente estabelecidos, todas as cerimônias de um determinado Rito Maçônico.

Portanto, na Maçonaria, é o livro que contem as fórmulas e demais instruções necessárias para a prática uniforme e regular dos Trabalhos Maçônicos em geral. Cada grau tem o seu Ritual particular e também cada espécie de cerimônia, havendo Rituais de Iniciação, de Banquete, etc. A forma de abrir e fechar os Trabalhos, assume a forma de um diálogo com a repetição de certos fatos relativos à Ordem (Nicola Aslan – Grande Dicionário Enciclopédico – Ed. Trolha).

E por que se usa um Ritual na Maçonaria? Por que há uma forma fixada para abrir e fechar uma Loja? Por que não fazer isso tudo com um golpe do Malhete?

A Maçonaria usa o ritual pelo mesmo motivo que um ator usa o “script”: para estar seguro que cada Oficial da Loja saiba, na certeza, o que tem para falar e fazer, e, muito importante, o que os demais Oficiais falarão e farão.

O Ritual está enraizado na tradição da Maçonaria. A repetição dos acontecimentos e das “falas” está em linha com a Natureza – o surgimento e o pôr do Sol – o fluxo e refluxo das marés – as mudanças das estações do ano, etc.

As repetições nos dão a oportunidade de ver, mais e mais as belezas das nossas Cerimônias. É possível que, sem o uso do Ritual, a Maçonaria Simbólica, pararia de existir.

Na Inglaterra, EUA, Nova Zelândia e Austrália, o Ritual é decorado, exigindo muito trabalho e força de vontade dos Oficiais da Loja. Com isso, apesar de exigir mais sacrifício, esse comportamento valoriza e dignifica um pouco mais as funções dos Oficiais.

A prática do uso do Ritual parece ser um instinto profundo enraizado na natureza humana. Desse modo, o Ritual está presente nas cerimônias religiosas, nas preces, e em outras cerimônias com as quais estamos acostumados no nosso dia-a dia, incluindo: Batismo, Casamento, Funeral, Júri e muitas outras.

sábado, 20 de março de 2010

nº 66 - Maçom Aceito


O termo “Aceito” aparece muitas vezes nos documentos atuais da Maçonaria Simbólica e, obviamente, é de total interesse dos maçons.

Membros da “Companhia de Maçons de Londres” e da antiga “Companhia da Cidade” foram “aceitos na Ordem” e considerados e mantidos como Maçons nas Lojas. Após essa “Aceitação”, homens se tornavam Maçons, conforme anotações na seção de procedimentos das citadas companhias. Elias Ashmole, por exemplo, foi um dos “Aceitos”.

O Maçom Aceito do século XVII na Inglaterra, era essencialmente diferente de um membro operativo, e talvez até, mais importante. Nessas companhias de Maçons deveria ter, nessa época, maçons operativos, juntamente com os “aceitos”, que eram homens que nunca haviam tocado numa ferramenta de trabalho em toda sua vida. Eram aristocratas, cavalheiros, que foram admitidos devido seu patrimônio ou pela gentileza dos demais sócios. Mas, o Maçom Aceito era, originalmente, tanto em caráter, como para todos os propósitos práticos, um Maçom como qualquer outro.

Dessa pratica em uso, cresceu ao longo do tempo, o uso das palavras “Aceito” ou “Adotado” para indicar um homem que tinha sido admitido dentro da irmandade dos maçons simbólicos. Existem poucas referencias históricas, entretanto, não há nenhuma duvida que os maçons, mais geralmente conhecidos como Maçons Aceitos, foram se tornando bem conhecidos no ultimo quarto do século XVII.

Nas Lojas da Maçonaria Escocesa Operativa era comum o uso do termo “Admitido” entre os seus membros. Aliás, na pequena nobreza e nas famílias conceituadas, também era comum o uso desse termo.

Livre e Aceito

Apesar do termo “Maçom” estar em uso nos dias da idade média e candidatos serem “aceitos” na Francomaçonaria, na metade do século XVII, a primeira vez que apareceu a frase “Maçom Livre e Aceito” foi em 1722, cinco anos após a Primeira Grande Loja ter sido fundada. Isso ocorreu no título de um panfleto, que hoje é conhecido como “Roberts´ Pamphlet”, imprimido em Londres em 1722. O título era: “As Antigas Constituições pertencentes à Antiga e Respeitável Sociedade dos Maçons Livres e Aceitos”. Oficialmente, a frase foi usada pelo Dr.Anderson na segunda edição das Constituições em 1738 e ao longo do tempo, foi adotada pelas Grandes Lojas da Irlanda, Escócia e grande numero das Grandes Lojas dos EUA.

A teoria admitida é que as duas palavras entraram em conjunção para um objetivo comum, pois muitas antigas Lojas tinham entre seus membros, “Maçons Aceitos” e outros que eles chamavam de “Freemasons – Maçons Livres”.

Isso, tanto na Maçonaria Operativa, como na Especulativa. Então, foi razoável aceitar o termo “livre e aceito” para cobrir os dois grupos que se expandiam rapidamente e que estavam em fusão.

sábado, 6 de março de 2010

nº 65 - Free Masons


Por que será que apareceu o termo “Free Mason – Maçom livre”? Esse termo foi originado na época dos Maçons Operativos, na Inglaterra, Escócia ou Irlanda.

Há muitas teorias: um homem era um Maçom livre porque seus antecedentes não eram escravos e ele não era um escravo.

Ele era assim chamado porque ele era livre dentro da Guilda a qual pertencia ou era livre das leis da Guilda a qual pertencia e podia, então, viajar e trabalhar em outros locais ou outros países, conforme suas necessidades, desejos ou quando era requisitado. Isso nos leva a conclusão que havia dois tipos de Maçons: o Maçom que fazia um serviço mais rústico e um outro tipo que fazia um serviço que requeria mais habilidade, mais conhecimentos, mais destreza. Era este último que dava o acabamento, a beleza, a arte nas construções: era o artesão especializado, o artista! E era requisitado, obviamente, pelos reis, alto clero e nobres. Esse era, provavelmente, o Free Mason.

Pessoas com essas habilidades não são feitas. Elas nascem artistas e se desenvolvem, ou não. Não se produz um Michelangelo, ou um Leonardo da Vinci, ou um Rafael. Eles aparecem independentemente de nossos desejos (que fique claro que não estou afirmando que esses últimos citados fossem maçons operativos. São somente exemplos de artistas).

O Free Mason podia ter sido assim chamado porque ele trabalhava um tipo de pedra, adequada e fácil de se trabalhar manualmente, chamada “freestone”, existente nas Ilhas Britânicas. Elas podem ser cortadas, cinzeladas e esculpidas facilmente.

Ele podia ser sido chamado de “livre” quando tinha terminado seu aprendizado, na fase de Aprendiz e se tornado um Companheiro dentro da Ordem (Fellow).

Ele podia ter sido chamado de “livre” quando saiu do estado de servo feudal e legalmente se tornado livre.

Em algum tempo, os Maçons foram chamados de “Free Mason – Maçom livre” por alguma dessas razões mencionadas acima, ou talvez devido a todas elas.

O consenso, conforme dou a entender no terceiro parágrafo, tende para a teoria de que o termo Free Mason era devido a sua habilidade, seu conhecimento e sua destreza que o tornavam livre de determinadas condições, leis, regras e costumes, as quais limitavam maçons com menores habilidades, na época das construções das grandes Catedrais.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

nº 64 - Grade do Oriente


As igrejas católicas foram, sem dúvidas, juntamente com o Parlamento Inglês, os principais arquétipos dos Templos Maçônicos, sendo o primeiro deles erigido na Inglaterra, em 1776.

Esses Templos tem a orientação dirigida do Ocidente para o Oriente, tendo a direita, de quem entra, o Sul, e na esquerda, o Norte.

Normalmente, mas nem sempre é obedecido, o Ocidente é uma vez e meia maior do que o Oriente, no comprimento. Nos Templos onde se praticam alguns Ritos, como o R.'.E.'.A.'.A.'., por exemplo, existe uma grade baixa, conhecida como Balaustrada, ou Gradil, ou Grade do Oriente, com uma passagem no meio dela, separando o Oriente do Ocidente (nos templos onde se praticam os Ritos de York e Schroeder, ela não existe).

Nesses Templos onde existe a Grade do Oriente, ela nada mais é, do que uma separação física, delimitando as duas áreas citadas acima. Nas Igrejas, existe algo semelhante, a qual separa o Presbitério da Nave, e que a Maçonaria, sabiamente copiou.

Assim, o Oriente dos Templos Maçônicos onde ficam o Venerável Mestre, autoridades Maçônicas, Mestres Instalados, etc, assemelha-se ao Presbitério, onde ficam os Sacerdotes. O Ocidente, onde ficam os demais Obreiros, assemelha-se à Nave, onde ficam os fiéis.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

nº 63 - A Prancheta


A “Prancheta”, também chamada de “Tábua de Delinear”, “Prancha a Traçar” ou “Prancha de Delinear”, é constituída por duas figuras e um ponto, móvel, desenhadas (ou esculpidas, ou pintadas, etc) sobre uma placa retangular de madeira, ou outro material semelhante. As dimensões usuais desse retângulo é de, aproximadamente, 40cm x 50cm, nada impedindo que tenha outros valores.

Uma das figuras é constituída por duas linhas paralelas horizontais e duas linhas paralelas verticais, também chamada de Cruz Quádrupla, e por duas retas que se cruzam em angulo reto, ou não, formando um “X”. Essas figuras estão uma ao lado da outra, podendo ser tanto na horizontal como na vertical. Nas pesquisas, tanto do Mestre Nicola Aslan, bem como nas do Mestre Jules Boucher, nada é mencionado sobre isso.



A “Prancheta” é uma das “Jóias Fixas” da Loja (as outras são a “Pedra Bruta”, onde trabalham os Aprendizes, e a “Pedra Cúbica”, onde trabalham os Companheiros) e é nela (Prancheta) onde trabalham os Mestres.

São "Esquadros" colocados de forma simples, outras vezes sobrepostos formando quadrados, constituindo o Alfabeto Maçônico, e reproduzindo, desse modo, o equivalente às letras do nosso alfabeto. Um item bastante importante é o "ponto" que é usado com critério, para diferenciar a letra "a" da letra "b", ou letra "o" da letra "p", como exemplos. Na verdade, existem dois tipos com origens diferentes, com pequenas diferenças entre si: um sistema denominado “Alemão” e outro denominado “Inglês”. Ambos são lidos, sempre, da direita para a esquerda,

Em Loja, a Prancheta fica apoiada no Altar, na parte inferior, na direita do Venerável Mestre quando sentado no Trono.

Segundo Jules Boucher, ignora-se a origem desse alfabeto maçônico.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

nº 62 - Antimaçonaria – Leo Taxil


Gabriel Jogang Pagés, francês nascido em 1854, com o pseudônimo de Leo Taxil, tornou-se origem das acusações de luciferismo e cultos satânicos contra a Maçonaria, acentuando a discordância entre esta última e o Clero.

Leo Taxil teve uma juventude turbulenta, estudando em diversos colégios católicos dos Jesuítas, sendo expulso de alguns deles e sai da casa paterna antes dos 16 anos.

Dedicado inteiramente ao jornalismo, em 1871 já com o pseudônimo de Leo Taxil, para ludibriar seu severo pai, ingressa no “A Igualdade”; funda posteriormente o “La Marote”, a “Jovem República” e em 1874 dirige “O Furacão”.

Em todas essas ocasiões, seus artigos eram uma seqüência de folhetins anticlericais, dos mais violentos, sofrendo diversos processos por excesso de linguagem. Em 1876, foge para a Suiça, voltando posteriormente a Paris. Tinha 24 anos e começa uma carreira vertiginosa uma vez que os republicanos e anticlericais triunfavam. Em 1879 funda a Biblioteca Anticlerical e alimenta a França com uma enxurrada de panfletos sensacionalistas. Ganhou, com o passar dos anos, muito dinheiro e diversos processos movidos pelo Clero.

Em 1881, Taxil havia sido Iniciado na Loja Maçônica “Os Amigos da Honra Francesa”, da qual foi expulso após dez meses, ainda na fase de Aprendiz.

O interesse pela sua literatura sensacionalista decai, as vendas sofreram brusca queda, o que fez que, em 1885, após intensa atividade anticlerical, Leo Taxil declara-se “convertido”, repentinamente, sem transição alguma. Confessa-se e passa a viver com os clericais freqüentando bibliotecas religiosas e aplica um novo golpe: começa a escrever contra a Maçonaria.

Assim, na condição de “católico penitente”, dedica-se, a partir de 1885 à publicações antimaçônicas. Seus livros descreviam rituais maçônicos entremeados de fantasias mirabolantes, passando posteriormente, a inventar e descrever rituais fantásticos, cultos luciferinos, satânicos. Esses livros eram devorados pelos leitores ávidos de sensacionalismo, tornando-se um grande e lucrativo negócio.

O negócio floresceu e chegou ao ponto culminante com a invenção de “Miss Diana Vaughan” no seu livro “As Irmãs Maçons”, onde tal personagem era a sacerdotisa de um culto demoníaco feminino a que chamou de Palladismo. Tal personagem queria livrar-se das garras do satanismo e voltar à Santa Igreja Católica mas era impedida pelos Maçons.

As autoridades eclesiásticas apoiavam de público e através de cartas as “revelações” do autor, chegando algumas delas a oferecer auxílio à fictícia Diana Vaughan. Em visita ao Vaticano, Leo Taxil foi cordialmente recebido por Cardeais e teve uma entrevista pessoal com o próprio Leão XIII.

As obras de Taxil foram traduzidas em diversos idiomas e seus artigos publicados em revistas e jornais católicos. Outros autores, influenciado pelo sucesso de Taxil, e tomando-o como referência, começaram também a explorar o mesmo tema. Durante doze anos toda essa miscelânea de imbecilidades forjadas por Leo Taxil foi devorada por um público cativo.

Apesar da desconfiança de algumas autoridades de tudo não passar de um embuste, os livros de Taxil continuavam a ser vendidos. Sua influência crescia também em outras nações, a ponto de na Espanha e Bélgica serem formadas comissões especiais para investigação da Maçonaria.

Até que finalmente, na Itália, em setembro de 1896, realizou-se um Congresso Antimaçônico em Trento, incentivado pelo Papa Leão XIII. Lá, algumas manifestações de descrédito dos exageros de Taxil começavam a aparecer. O monsenhor alemão Gratzfeld, provou que Miss Diana Vaughan era um embuste, mas não foi levado a sério.

Comissões foram criadas e aí começaram a aparecer dúvidas sobre a veracidade dos escritos e das personagens. Começava, assim, o fim de uma mistificação.

Depois de muito relutar, na Sociedade Geográfica de Paris, Taxil denunciou sua própria fraude, gabando-se de ter conseguido iludir as autoridades eclesiásticas por doze anos. A reação às declarações de Taxil foi de tal ordem que ele teve de deixar o local sob proteção policial. Não mais se ouviu falar sobre Taxil que veio a falecer em 1907.

Eleutério Nicolau da Conceição em Maçonaria Raízes Históricas e Filosóficas - 1ª edição - São Paulo - Editora Madras - 1998, esclarece: “todavia, aplica-se a este caso a conhecida figura do travesseiro de penas sacudido ao vento: é impossível recolher todas as penas”. De tempos em tempos, aparecem livros antimaçônicos, inspirados nas idiotices de Leo Taxil, ou de outro autor inspirado por ele.

E, assim, os Maçons norte americanos, que periodicamente sofrem campanhas movidas por igrejas fundamentalistas, repisando sempre as mesmas teclas de Leo Taxil, referem-se à fraude como “The lie that will never die” – a mentira que nunca morrerá.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

nº 61 - Trolhar e Telhar


É interessante, na Maçonaria, como certas coisas realizadas, praticadas, ou palavras ditas ou interpretadas erradamente por Veneráveis Mestres, se espalham numa velocidade vertiginosa e tendem a se tornarem verídicas. Desse modo, é muito comum, Veneráveis e Vigilantes saudarem Obreiros, cruzando o Malhete no peito. Ou então, em Lojas no R.:E.:A.:A.:, o Mestre de Cerimônia andar em esquadria, parecendo “robot”, devido “achismo” do Venerável que confundiu os Ritos.

Nesta Pílula, vamos aprofundar nosso estudo nas palavras TELHAR e TROLHAR, que tendo significados, na Maçonaria, totalmente diferentes, na maioria das vezes, são ditas uma substituindo a outra, como se fossem iguais.

Nos Dicionários, temos que o substantivo “trolha” é definido como uma “colher de pedreiro”, que é usada para colocar e/ou alisar a argamassa que está sendo usada. É utilizada para estender a argamassa e cobrir todas as irregularidades, fazendo que o edifício construído fique parecido como se formado por um único bloco.

O substantivo “telha” é definido como peça, geralmente de barro cozido, usada na cobertura de edifícios. A palavra telha vem do latim: “tegula”. Daí temos “telha” em português; “tuille” em francês; “tyle” em inglês. Temos em inglês, "tyler" como cobridor. Temos em francês, "tuileur" como cobridor. Em português, apesar de existir a palavra “telhador” o mais comum foi não usar a raiz da palavra e ficou "cobridor", denominação para aquele que coloca telhas, cobre, oculta, protege uma área de um edifício.

Entretanto, na Maçonaria, os verbos derivados dessas duas palavras, têm os significados dados abaixo.

Trolhar: é esquecer as injúrias, as desavenças entre os Irmãos. É perdoar um agravo, dissimular um ressentimento, perdoar uma falta de outro Obreiro. É reforçar os sentimentos de fraternidade, de bondade e de afeto, que unem todos os membros da família maçônica. Esses sentimentos devem ser contínuos, sem falhas, sem asperezas e sem rugosidades. Se isso ocorre em uma Loja, o Venerável Mestre deve se inteirar do que está ocorrendo e “trolhar” os envolvidos. Por isso que, na Inglaterra, o Símbolo com o formato de uma “colher de pedreiro” é usada pelos Mestres Instalados.

Telhar: é verificar, através de perguntas, se uma pessoa é realmente Maçom e se está no Grau requerido. Ou para verificar se um Maçom está inteirado de conhecimentos num determinado Grau. Visitantes são “telhados” pelo Cobridor, com essa finalidade. Cobrir o Templo é protegê-lo de tal forma que, pessoas que estão fora não saibam o que está ocorrendo dentro dele. É um erro crasso pedir aos Aprendizes, ou Companheiros, ou Mestres, cobrirem o templo temporariamente, em Colação de Grau ou Instalação. O Templo é que será coberto para eles. Ou seja, eles não saberão o que ocorrerá dentro desse Templo, num determinado período de tempo, pois o Templo estará “coberto”.

Quem cobre o Templo é o Cobridor Externo, não o Aprendiz ou o Companheiro ou o Mestre.


Esta pílula, tem o M.'.I.'. Fernando Túllio Colacioppo Sobrinho CIM 205702 como co-autor.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

nº 60 - Viver de modo Maçônico


Desde a época do aparecimento do Homem na Terra, tem havido a necessidade de um serviço humanitário – um serviço fraternal que pode beneficiar a todo ser humano. Hoje, em todo país civilizado do mundo, o bem social do indivíduo tem se tornado a preocupação mundial. A Francomaçonaria com a sua historia, tradição e as lições administradas em seus vários graus, preenche essa necessidade.

Cada pessoa vem a este planeta com um propósito. Como Maçons, nós temos uma missão a cumprir. Nós estamos cientes que nossa vida é por tempo limitado, e é nosso dever e responsabilidade completar esta missão nesse terminado espaço de tempo.

Como Maçons nós projetamos diariamente uma imagem sobre pessoas que estão em contato conosco, e as influenciamos.

A Fraternidade Maçônica está alicerçada no rochedo da dignidade humana. Este é o conceito básico de todas as lições em todos os Rituais da Ordem. O principio fundamental da Fraternidade é que cada homem é individual e deve ser tratado como tal. Em cada homem há uma qualidade que merece respeito.

A teoria da Maçonaria Especulativa é que o maior esforço deve ser direcionado na direção do desenvolvimento do caráter e no aperfeiçoamento da vida mental, espiritual, ética e moral do Obreiro. Esta teoria é sensacional e eterna, mas deve ser repartida ou ela para de fluir.

Deste modo, lideranças maçônicas dedicadas podem levar para longe essa teoria e prestar grande serviço para a humanidade. O mundo está pronto e esperando por isso. Será um remédio para o vírus da ilegalidade e corrupção que está afetando o corpo inteiro da humanidade nos dias de hoje.

Maçonaria não é para qualquer pessoa. Nós guardamos muito bem nossos portais e aceitamos somente aqueles que nós acreditamos que somarão mais vigor. Tanto o pobre como o rico, bate em nossas portas, e são admitidos, pois temos aprendido que “a vida de um homem não consiste na abundancia das coisas que possui”.

A Maçonaria escolhe homens bons, educa e os prepara para atuarem na vida profana, repletos de intenção de construir uma nova e melhor sociedade – um monumento que crescerá em perfeição com o passar dos anos e constituir um crescimento legal para o futuro.

Nossa caridade não é avaliada inteiramente em termos de dinheiro corrente. Caridade vem do coração do individuo e é uma das grandes lições ensinada em todos os graus da Ordem. Como maçons, é nosso dever pratica-la atenciosamente todos os dias de nossa vida, não somente para os membros de nossa grande Fraternidade, mas a todos, indistintamente.

Nossa Ordem é educacional e caridosa, cuja estrutura é derivada dos construtores medievais das grandes catedrais. Com conhecimento e habilidade eles erigiram as superestruturas que maravilharam a todos. Como construtores de melhores homens nesta era de conflitos e confusões que estão transtornando o mundo de hoje, nós podemos fazer a Maçonaria um modo de vida e uma mais valorosa contribuição para todos.

Então, o que tem inspirado homens de todos os tipos, presidentes de países, de grandes indústrias, de grandes instituições de ensino, comerciantes, liberais, pesquisadores, e pessoas simples como eu e você, nestes últimos trezentos anos, a dar seu tempo e talento para promover esta antiga Ordem?

É a elevação moral e espiritual que recebemos do fato de fazermos alguma coisa valer a pena. É a satisfação do trabalho fecundo um com outro, lado a lado, como membros da mais antiga Fraternidade do mundo. É a concordância da necessidade de servir a humanidade, o estado e o país onde vivemos – e mais importante de tudo, é aquele espírito fraternal, repleto de amor e afeição que nos une e cimenta, como pedras vivas, para a construção do Grande Templo.

P.S.: este artigo foi baseado e adaptado dos discursos do M.W. Bro Roger White nas Lojas de Maine, EUA.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

nº 59 - Teria sido Jesus, um Essênio?


Teria, realmente, Jesus pertencido à seita judaica dos Essênios?

Aparentemente, de acordo com as opiniões, dadas abaixo, de alguns escritores famosos sobre o fato, escritores historiadores, que são os que se aplicam neste caso, tudo nos leva a crer que, não.

Em caso afirmativo, a conclusão mais razoável é que se Jesus conviveu com os Essênios, tendo assimilado algumas de suas figuras e idéias, deles se afastou, divergindo em pontos fundamentais.

Vamos abrir parênteses para dar uma excelente definição de “historiador”, de Cervantes: “Os historiadores devem ser precisos, verídicos e totalmente imparciais; nem o interesse, nem o medo, o ódio ou a afeição poderiam afastá-los da senda da verdade, da qual a história é a mãe, a conservadora das grandes ações, o testemunho do passado, o exemplo e o ensinamento para o presente e a advertência para o futuro”.

Deste modo, vejam a opinião de Eleutério Nicolau da Conceição, no livro “Maçonaria – Raízes Históricas e Filosóficas”, pg. 177: “Certos livros afirmam que Jesus e Batista tinham sido Essênios, mas que Jesus era um grau superior ao de João. Por ocasião de seu batismo, Jesus se teria dado a conhecer por sinal, toque e palavra... etc. Parece incrível que histórias desse tipo sejam repetidas sem que aqueles que o fazem, tenham levantado perguntas óbvias: como aquela informação teria chegado ao escritor? Os autores desses artigos não exercitaram seu pensamento critico para perguntar como o autor original teria acesso a essas informações desconhecidas de todos os estudiosos do tema, que buscam avidamente referencias palpáveis, verificáveis na arqueologia e documentos antigos, da passagem pela Terra do Jesus histórico”

Continuemos obtendo mais depoimentos de escritores, como, por exemplo, James H. Charleswort – no livro “Jesus dentro do Judaísmo”, pg. 74 : “...Assim como não existem dados sustentando a idéia de Jesus ter sido Essênio, já que não há qualquer referencia a ele nos documentos conhecidos, não se pode tampouco afirmar que nunca houve contato entre ambos os grupos, cristãos e Essênios. Existem, contudo, oposições evidentes nos ensinamentos e praticas de Jesus comparados com os da seita zadokita: os Essênios eram rigorosos cumpridores da lei, guardando o sábado com maior rigor até do que os fariseus. Jesus ensinava: “o sábado foi feito por causa do homem, não o homem por causa do sábado”. Em certas ocasiões mandou seus discípulos que colhessem espigas (trabalhassem) para se alimentar no sábado. Os Essênios superiores praticavam todo um ritual, mantendo rigor ainda maior em relação a estranhos, e o compartilhar de refeições era para eles um ato sagrado, apenas com os membros de seu grupo; Jesus era acusado pelos fariseus de comer com publicanos e pecadores, a ralé da época, o que, se feito por um Essênio, provocaria sua expulsão da Ordem. Por último, os Essênios tinham uma cerimônia na qual amaldiçoavam seus inimigos; enquanto Jesus ensinava: “Amai vossos inimigos e orai por aqueles que vos perseguem”.

Igualmente, o historiador John P. Meir – no livro “Um Judeu Marginal”, Imago, 1993, pg. 100, nos relata, com muita sabedoria: “Seja como for (e não há como verificar tal afirmação), não existem indicações de que Jesus tenha tido contato direto com a comunidade de Qumrãn, em qualquer tempo. Ele não é mencionado nos documentos encontrados em Qumrãn, ou próximo a ele, e sua atitude independente com relação à interpretação estrita da Lei Mosaica é a própria antítese dos rigorosos membros da seita Qumrãn, que consideravam até os fariseus muito indulgentes. Tudo isso não evitou que alguns escritores imaginosos vissem Jesus e Batista em alguns textos de Qumrãn, o que apenas mostra que a fantasia intelectual não conhece limites!”

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

nº 58 - Tradição Maçônica


A manutenção da Tradição de nossa Ordem faz com que a pratiquemos, agora no século XXI, periodicamente e de forma constante, conforme Rituais estabelecidos em 1790, aproximadamente.

É por meio da Tradição que grupos humanos mantém seus costumes, seus hábitos, suas conquistas morais e sociais, entre outras coisas. A cultura adquirida é assim mantida. Desse modo, a manutenção dos parâmetros estabelecidos nesses Rituais é que permite que a Maçonaria seja secular. Se assim não fosse nossa Ordem já teria se pulverizado.

Ao contrário do que muitos pensam, nossa Ordem não desconsidera a evolução e os atuais meios de comunicação e a tecnologia. Repare que, mantendo a Tradição, e ao mesmo tempo, a tecnologia é aplicada na medida do possível. Vamos dar alguns exemplos: o Pavimento de Mosaicos permanece o mesmo, porém o material do qual é feito muda. O que antigamente era somente feito de granito preto e mármore branco, hoje existe variedade enorme de materiais sintéticos que os substituem.

A função do Secretário era antigamente executada totalmente através de manuscritos. Hoje nos usamos os recursos dos computadores. Inclusive, existem Lojas nas quais as Atas são enviadas pela Internet e a concordância é feita na próxima Loja.

O “Tempo de Estudos” era feito somente através da leitura do Trabalho. Hoje nós temos uma série de recursos fornecidos pela mais alta tecnologia, como o uso de computadores e projeção em tela, comandados à distancia. Além de outros recursos áudio visuais.

As Colunas “J” e “B” antigamente eram fundidas em metal, e posteriormente feitas em pedras e gesso. Hoje a tecnologia do Plástico está adiantadíssima e nos permite que as mesmas sejam feitas com esse material extremamente leve e durável.

A manutenção imutável do Ritual através da Tradição, faz com que a Ordem também seja imutável ao longo dos séculos. Isso não quer dizer que ficará ou está obsoleta.

Mesmo assim, pequenas mudanças ocorrem. Apesar do rigor em manter a tradição, o GOB reconhece hoje seis Ritos. Ou seja, pequenas mudanças foram feitas no Ritual original e geraram derivativos, cuja única finalidade, ao meu ver, foi satisfazer a vaidade de pessoas, pois a essência desses Ritos são iguais.

Qual a necessidade do GOB ser reconhecido pela Grande Loja Unida da Inglaterra? O GOB não funcionaria do mesmo modo sem esse reconhecimento? A resposta é sim. Entretanto, esse reconhecimento, mantém a Tradição, e não permite mudanças radicais, fazendo com que o Sistema permaneça imutável, não descambe e nem se modifique alterando as características originais.

Por que o MacDonald's é igual no mundo todo? Se você quiser montar um no seu bairro, vai ter que fazer exatamente conforme descrito no contrato do franchise, e nada poderá ser mudado, ou não será feito. Por que? Porque essa é a maneira de preservar algo que deu certo, é bom e teve sucesso!

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

nº 57 - Aquisição e Desenvolvimento de um Mestre Maçom


No caso de uma Loja Maçônica querer adquirir um novo membro na Ordem, o primeiro passo é a Sindicância.

Como é sabido, o conjunto de informações conseguidas sobre um profano, denomina-se “Sindicância”. É extremamente importante a seriedade com que os Sindicantes deverão fazer esse trabalho exigido pela Loja. Mais importante ainda, é a indicação feita pelo proponente. Se o candidato foi indicado por ser amigo do proponente e não por ter qualidades e virtudes que o transformarão em um bom Maçom, segue-se uma Sindicância imperfeita.

O proponente, antes de mais nada, deve saber muito sobre a Maçonaria para poder esclarecer o candidato que fará, sem dúvidas, uma série de perguntas: o que é; para que serve; sua história; metas; etc, etc.

Se o proponente não responde com clareza e certeza, o candidato poderá se tornar um Maçom, sem saber o principal, confiando no amigo que disse que a Maçonaria é uma “coisa legal! Você vai gostar!”.

O processo de Iniciação é importantíssimo. O candidato, vendado, é conduzido em diversas passagens e deve estar confiante, sem temor, crendo que está entre pessoas nobres e diferenciadas. Cerimônias com passagens bisonhas, gracejos, brincadeiras perigosas ou de mau gosto, fazem que ocorra uma má Iniciação, gerando um Maçom que nunca levará a sério a nossa sublime Ordem.

Uma vez Aprendiz Maçom, receberá este, uma série de Instruções sobre a Simbologia, sobre as Ferramentas do Grau, etc, para que processe o desbaste da “pedra bruta”.

Enfim, Maçonaria é estudo... estudo... estudo...

E o Aprendiz mal instruído devido a didática pobre do instrutor, da falta de leitura dos clássicos maçônicos, da falta de conhecimento e cumprimento da Legislação Maçônica, das pavonices e vaidades em Loja, das incoerências ritualísticas, etc, dará um Companheiro despreparado e desmotivado. Tudo pode ser agravado pela pressa no “aumento de salário”.

Ensinar, é transmitir conhecimento. Conhecimento sólido, abrangente que se transformará no alicerce de um verdadeiro Mestre Maçom.

Instruções mal dadas, transmissão precária de conhecimentos, não exigir trabalhos sérios e bem pesquisados, farão um mau Aprendiz, que será um péssimo Companheiro e um Mestre ridículo.


Colaboração do M.´.I.´. Fernando Tulio Colacioppo Sobrinho - CIM 205702

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

nº 56 - As Seis Grandes Lojas da Inglaterra


Nos séculos XVIII e inicio do século XIX ocorreu na Inglaterra uma formação simultânea de “Grandes Lojas”, começando pela primeira em todo o mundo, que foi a Grande Loja de Londres e Westminster, em 1717. Posteriormente, algo semelhante ocorreria, também, nos demais países.
Baseando-me em livros de origem inglesa, inclusive um pequeno livro editado pela Grande Loja Unida da Inglaterra, a mim ofertado pelo meu Irmão gêmeo Pedro Américo (The History of English Freemasonry), vou expor abaixo um resumo das seis Grandes Lojas que apareceram na Inglaterra naquela época.
  • A primeira delas foi a “Grande Loja de Londres e Westminster”, de 1717, a mãe de todas as Grandes Lojas do mundo, que permaneceu ativa ao longo dos anos, transformando-se, em 1813, na Grande Loja Unida da Inglaterra (GLUI).
  • A segunda delas, apareceu em 1725: a antiga Loja da cidade de York, norte da Inglaterra, transformou-se na “Grande Loja de Toda a Inglaterra”. Entretanto, sua influencia se restringia nas províncias de York, Cheshire, e Lancashire. Ela existiu por algumas décadas, elegendo seus próprios Grãos Mestres, erigindo também suas próprias oficinas de Royal Arch e Cavaleiros Templários. Dessa Grande Loja apareceu uma outra em 1779, que será a 4ª em nossa seqüência..
  • A terceira Grande Loja foi a “Grande Loja dos Antigos” em 1751, a qual, juntando-se, em 1813, com a primeira mencionada acima, também conhecida como a dos “Modernos”, formou a “Grande Loja Unida da Inglaterra” (GLUI).
  • A quarta foi formada em 1779. Com a responsabilidade e autoridade da Grande Loja de Toda Inglaterra foi formada a “Grande Loja do Sul do Rio Trent”, constituída de antigas Lojas que estavam em desacordo com as diretrizes da primeira Grande Loja. Em 1788, ajuntou-se com a terceira das Grandes Lojas, a “Grande Loja dos Antigos” e parou de existir.
  • A quinta delas, e é a que existe hoje, foi formada em 1813. A primeira Grande Loja juntou-se com a “Grande Loja dos Antigos” para dar ao mundo maçônico a “Grande Loja Unida dos Antigos Maçons, Livres e Aceitos da Inglaterra”, conhecida por todos hoje em dia como a “Grande Loja Unida da Inglaterra” (GLUI).
  • A sexta e ultima apareceu e sumiu da seguinte forma: após a união, descrita acima, em 1813, houve dificuldades com algumas Lojas e quatro delas, afastadas da GLUI, formaram em 1823, estabelecida em Wigan, a “Grande Loja dos Maçons Livres e Aceitos da Inglaterra de acordo com as Antigas Constituições” depois de dois anos ficou inativa até 1838. Em 1844, teve uma aceleração das atividades até 1858, e depois foi decaindo aos poucos, sendo que em 1866 foi o ano em que suas ultimas Atas foram registradas.

sábado, 21 de novembro de 2009

nº 55 - A Loja de York


A cidade de York, apesar de nos seus primórdios ter tido outro nome, já nasceu famosa pois essa província foi escolhida pelos romanos para conter as residências dos Imperadores e dos altos comandantes durante a estadia deles no norte da Inglaterra. O antigo nome era Eboracum e foi considerada a capital do norte desse país por muito tempo (estamos falando da época aproximada de 50 a.C).

Referente à Maçonaria, conta-se muita coisa, e não se sabe se é lenda ou história verdadeira. É dito que no ano 926 d.C, nessa cidade, teria sido realizada uma Assembléia Geral de Maçons, convocada pelo príncipe Edwin, irmão ou filho do Rei Saxão Athelstan.

A finalidade desta Assembléia era a de gerar uma Constituição que serviria de lei única para a Fraternidade dos Maçons. Essa Constituição, também chamada de “Manuscrito de Krauser” (foi dito ele ter feito a tradução do original) foi acreditada por muitos durante muito tempo, porém dúvidas apareceram sobre sua existência e veracidade. Em 1864, J.G.Findel foi designado pela Maçonaria alemã para descobrir o documento original, mas nada encontrou.

A Loja de York era de considerável idade tendo originalmente sido uma Loja Operativa. Sabe-se que em 1705, essa Loja e outras fundaram uma espécie de Federação. Em 1725, estimulada pelo sucesso da Grande Loja de Londres e Westminster, essa Federação transformou-se em uma Grande Loja sob o título de “Grande Loja de Toda a Inglaterra”, com sede em York e redigiu 19 artigos que deveriam ser seguidos.

De 1740 até 1760 esse corpo ficou mais ou menos dormente, mas em 1761 a Grande Loja dos Modernos deu uma Carta Constitutiva a uma Loja em New York o que estimulou o interesse da Grande Loja original, resultando então na formação de 14 Lojas em Yorkshire, Lancashire e Cheshire.

Em 1790 a “Grande Loja de Toda Inglaterra” abateu Colunas (foi extinta), tendo seus antigos registros preservados, até hoje, pela Loja de York nº 236.

Não se sabe com certeza como que foi seu Ritual ainda que numerosas Lojas americanas se dizem hoje do Rito de York, o qual permanece em vigor nos EUA.

Entretanto, isso é assunto para uma próxima “Pílula Maçônica”.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

nº 54 - Solstícios e Equinócios


A Astronomia e a Astrologia são ciências extremamente importantes, mas não é de nosso interesse, e nem tenho capacidade de fazer um tratado sobre os Solstícios e os Equinócios.

Vou simplesmente dar algumas definições e conclusões, da maneira mais pratica possível e, no final, fazer uma observação, que ao meu ver é de extrema importância pois definiu eventos religiosos importantes.

É sabido que a Terra tem movimento de rotação em torno de seu próprio eixo e gira em torno do Sol num trajeto com formato de uma elipse. Entretanto, se tomarmos um ponto da Terra como “referência”, aparentemente, o Sol nasce no Leste e se põe no Oeste. Só que não nasce sempre no mesmo local. Ele caminha num sentido (para a direita, por exemplo), permanece parado por um período, e volta no sentido contrário até atingir o outro extremo. Permanece parado por um período e recomeça tudo outra vez. Leva seis meses para ir de um extremo a outro e, portanto, um ano para voltar ao mesmo extremo.

Essas aparentes “paradas”, que são as posições da Terra nos extremos mais longos da elipse, são chamados de “Solstícios” de Verão e de Inverno. Abaixo da Linha do Equador ocorrem em 24 de dezembro e em 24 de junho, aproximadamente. Acima da Linha do Equador, as datas são as mesmas, e onde é Verão é Inverno e vice-versa.

O “Equinócio” é quando o Sol encontra-se no meio dos dois extremos. E, obviamente, temos também dois: o de Outono e da Primavera.

O mais interessante de tudo que foi escrito é que, nos Solstícios, a quantidade de horas de sol (claridade) e de escuridão varia durante o período de 24h do dia , e se alterna.

Desse modo, no Solstício de Verão a quantidade de horas de claridade é muito maior que a escuridão, durante as 24h de um dia. E ao contrário no Solstício de Inverno.

Como o Sol, nas religiões das civilizações antigas era considerado como um dos “deuses”, essa variação crescente da sua presença durante seis meses nos dias, foi base de uma religião muito antiga chamada “Solis Invictus” (e também do Mitraismo).

Recapitulando, o Solstício de Inverno, acima da Linha do Equador, que foi onde as civilizações mais se desenvolveram, no dia 24 de dezembro tinha uma quantidade maior de horas de escuridão do que as de claridade. E, a partir desse dia, essa religião comemorava sua festa máxima que era o “Natalis Solis Invictus” que era quando o Sol começava a aumentar sua presença ao longo dos dias, até o próximo Equinócio quando as horas de escuridão e claridade seriam iguais. Esse dia era de extrema importância para os adeptos dessa religião: era quando o “Sol nascia e crescia em força e vigor”.

O cristianismo, na época de Constantino, o Grande, foi alçada à condição de religião de Estado, apesar de que ele próprio, até próximo a sua morte, pertenceu a religião “Solis Invistus”. A festa máxima era o nascimento de Jesus Cristo, que era comemorada em 06 de janeiro.

Entretanto, como foi uma religião “imposta” pelos governantes, as convicções antigas permaneceram e eram também comemoradas. Para resolver esse problema, as festas católicas tiveram as datas trocadas, coincidindo com as antigas festas do “Solis Invictus”.

Inclusive, a data de nascimento de Jesus que era comemorada em 06 de janeiro, foi trocada para a data de 24 de dezembro, por Constantino em 521 d.C.

Desse modo, a atitude de um déspota daquela época, que por interesses político e temporal, influenciou, e continua a influenciar, no comportamento de milhares de pessoas, no tocante as suas convicções religiosas.


P.S.: de um lugar fixo do meu quintal, desde 12/05/2009, venho obtendo fotos, duas vezes ao mês, do “pôr” do Sol para registrar essa caminhada aparente do mesmo. É muito interessante, pois é algo que ocorre continuadamente e não nos damos conta.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

nº 53 - As Duas Colunas Externas dos Templos


Desde as épocas mais remotas da Civilização, a mente humana se volta para os “deuses” na procura de esclarecimentos e auxílio divino para a vida cotidiana.

Temerosos e, consequentemente, devotos, os primitivos ofertavam comidas, objetos e sacrifícios para aplacar a ira dos “deuses” que se manifestava pela intempérie e animais selvagens. O local onde eles faziam essas oferendas era “solo sagrado”, provavelmente, num recanto sombrio de uma floresta, e só os mais “esclarecidos” podiam fazê-las.

Com a evolução e certa estabilidade, o ser humano rudimentar tornou-se observador do céu e do horizonte. E ele começou a perceber que o Sol (sem dúvidas um dos deuses) nem sempre sumia no horizonte no mesmo local. Percebeu que o Sol se deslocava para a direita por um determinado tempo. Parava por um período e retrocedia no sentido contrário e parava novamente, agora no lado oposto. E repetia tudo novamente.

Percebeu, também, que a claridade (horas de sol) variava com esse deslocamento. E, mais importante, associou o tempo frio, a neve, a alta temperatura, as chuvas, etc com esse deslocamento, e com a melhor época de plantio, de enchente dos rios, etc.

Com isso, o “solo sagrado” foi deslocado para o cume de um pequeno monte, onde o sacerdote podia observar o horizonte e verificar onde o Sol estava se pondo e fazer seus presságios dos sinais observados. Para melhor controle, os sacerdotes colocaram nos dois extremos atingidos pelo Sol, duas estacas, que posteriormente se transformaram em colunas.

O “solo sagrado”, agora fixo num determinado local, recebeu para melhor proteção dos sacerdotes (augures) uma cobertura, e posteriormente, paredes feitas de pedras, transformando-se num Templo do passado.

Devo esclarecer que a palavra Templum vem do latim e era a denominação dada a essa faixa do horizonte, entre as duas colunas, onde as adivinhações eram feitas. O Sacerdote contemplava aquela região e tirava as conclusões.

Com o passar dos tempos, os Templos, locais agora onde os adoradores iam rezar e fazer suas oferendas, mantinham na frente, na parte externa, as duas colunas. Virou tradição. Todos os Templos construídos, mesmo sem saber o “por que” daquilo, tinham que ter as duas colunas.

Hoje nós sabemos que o deslocamento do Sol é aparente (quem se desloca é a Terra) e os pontos assinalados pelas estacas são os Solstícios (de Inverno e de Verão) e o meio deles assinala o Equinócio.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

nº 52 - Lembrando aos Aprendizes que...


Trono e Altar são coisas diferentes.
Trono é uma cadeira ou poltrona, normalmente num nível elevado, onde o Venerável Mestre da Loja senta.
Altar é uma mesa, ou pedestal quadrado, onde são realizadas certas cerimônias. O Altar do Venerável Mestre (ou de Salomão) fica em frente do Trono. É onde fica a Espada Flamígera, o castiçal para três velas e onde, antigamente, eram feitos alguns juramentos.
Sólio é sinônimo de trono.

Existem três tipos de Altares no Templo (R.´.E.´.A.´.A.´.): Altar do Venerável Mestre, Altar dos Juramentos e o Altar dos Perfumes. Os Vigilantes não têm altares. Eles têm mesas, sem a mínima necessidade de serem triangulares, comumente encontradas nos nossos Templos.

Telhar e Trolhar são coisas totalmente diversas.
Trolhar, na Maçonaria, é alisar as asperezas, aparar as diferenças entre os Obreiros. A Trolha, que é uma “colher de pedreiro”, é usada para alisar a argamassa.
Telhar, na Maçonaria, é verificar, através de perguntas, se uma pessoa é realmente Maçom e se está no Grau requerido. Ou para verificar se um Maçom está inteirado de conhecimentos num determinado Grau.

Cobrir o Templo é protegê-lo de tal forma que, pessoas que estão fora não saibam o que está ocorrendo dentro dele. É um erro crasso pedir aos Aprendizes, ou Companheiros, ou Mestres, cobrirem o templo temporariamente. O Templo é que será coberto para eles. Ou seja, eles não saberão o que ocorrerá dentro desse Templo, num determinado período de tempo. Quem cobre o Templo é o Cobridor Externo.

No local onde está escrito (inclusive em alguns rituais), referindo-se ao Salmo 133: ... como o orvalho de Hermon, que desce sobre..., está errado! Hermon não é um tipo de orvalho. Hermon é uma montanha que produz orvalho nas suas encostas. Portanto, o correto é: “... como o orvalho do Hermon, que desce sobre...”.

Aclamação é aprovar, saudar, através de brados. Diferente, portanto, de exclamação.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

nº 51 - Os Três Pontos


A data de 1717 é tida como a divisória entre a Maçonaria Operativa e a Maçonaria Especulativa. Houve, nesta última, a partir dessa data, um incremento na Ritualística com novos eventos na Iniciação e nos demais acontecimentos.

Essa Ritualística tinha sua “fala” decorada e era proibido fazer cópias manuscritas. Com o passar dos anos, houve uma perda do controle e começaram a aparecer cópias no ambiente maçônico do mundo todo.

Para dificultar o entendimento, caso essas cópias caíssem em mãos de profanos, as palavras foram abreviadas. Essa supressão de fonema ou de sílaba no final da palavra denomina-se “APOCOPE”.

Esse sistema era, e é ainda, usado também em documentos transferidos entre Potências Maçônicas. Na Inglaterra, EUA, Nova Zelândia e Austrália essa abreviação é feita por um ponto, somente. Na França, e paises da América Latina, que é o caso do Brasil, a abreviação é tripontuada.

Nos países onde houve influencia da Maçonaria Francesa, é comum colocar os três pontos no final da assinatura, ou entremeados na mesma. Não se sabe bem o motivo de tal comportamento. Provavelmente, uma maneira, não oficial, de reconhecimento entre Maçons.

O conjunto de três pontos não é um Símbolo e nem representa nada na Maçonaria, e é usado somente em alguns países. Mesmo assim, não faltaram Maçons de mente fértil que inventaram representações para eles como o Delta Sagrado, as Três Luzes da Loja, etc, etc. Mackey em sua Enciclopédia deixa isso bem claro: “não é um Símbolo; simplesmente uma abreviatura. Qualquer coisa fora desse sentido é futilidade”.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

nº 50 - Liberdade, Igualdade e Fraternidade


Nós sabemos que a Maçonaria no mundo teve duas vertentes principais: a Inglesa e a Francesa. No Brasil, apesar de estarmos estritamente ligados com a Grande Loja Unida da Inglaterra, e reconhecidos por ela, a nossa origem é francesa, igualmente como todas as Obediências Maçônicas dos paises da América Latina.

É, portanto, muito comum ouvirmos nas Lojas brasileiras a trilogia “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”, o que não é comum nas Lojas dos EUA, ou na Nova Zelândia, por exemplo, locais onde a origem foi inglesa.

Muitos Maçons alegam que essa divisa maçônica., foi usada durante a Revolução Francesa, em 1789, provando que esta última foi articulada e planejada pela Maçonaria.

Nada mais falso! Vejamos o que nos diz o historiador maçônico Alec Mellor, francês, em seu “Dicionário da Francomaçonaria e dos Francomaçons”:

“é inteiramente falso que essa divisa republicana seja de origem maçônica. Louis Blanc e outros autores pretenderam que o seu inventor teria sido Louis Claude de San Martin, o “filosofo desconhecido”. O historiador mais autorizado da vida e do pensamento desse ultimo, Robert Amadou, mostrou que ele não o foi”.

“A senhora B.F.Hyslop examinou uma boa quantidade de diplomas maçônicos emitidos de 1771 a 1799 na Biblioteca Nacional. Encontrou somente dois nos quais as três palavras encontram-se reunidas. Quase todos comportam: “Salvação-Força-Uniao”, ou falam do Templo onde reinam “o Silencio, a União e a Paz” (ver Anais da Ver. Francesa, jan. 1951)”.

“A 1ª Republicana empregou bastante a divisa: “Liberdade, Igualdade ou a Morte”, mas não é preciso dizer que tal programa ideológico jamais foi o da Francomaçonaria. Somente na 2ª Republica apareceu a “divisa tripla””.

“Não foi a Republica que tomou a divisa emprestada da Maçonaria, mas sim esta última que a tomou emprestada da Republica”.

O Mestre Castellani nos diz, em seu “Consultório Maçônico”, editora A Trolha:

“A trilogia foi tomada da 2ª Republica Francesa, instalada após a revolução de 1848, e não como muitos pensam, da 1ª Republica, proclamada em 1893, algum tempo depois da Revolução Francesa, já que a divisa era “Liberdade, Igualdade, ou a Morte””.

“Não é verdade, portanto, como costumam afirmar Maçons ufanos, que essa divisa republicana tenha origem maçônica, já que ocorreu foi exatamente o contrario: a divisa maçônica é que tem origem na Republica Francesa”.

Seria muito bom para todos os Maçons do mundo:

  • Se a Liberdade fosse melhor entendida e que se respeitasse os limites do próximo, pois nossa liberdade termina onde começa os direitos de nosso Irmão.
  • Se a Igualdade fosse disseminada com mais intensidade e a diferença entre os Obreiros fosse minimizada e que todos ficassem no mesmo Nivel.
  • Se a Fraternidade, esteio básico para que possa existir a Maçonaria, fosse bem entendida e aplicada.